“Durante os últimos meses, muitos cidadãos manifestaram-me o seu apoio e incentivo para uma eventual candidatura presidencial, sem que eu próprio tivesse, em algum momento, falado sobre essa possibilidade. A todos agradeço a confiança depositada e o carinho demonstrado.
Quero destacar e agradecer o apoio manifestado pelo Senhor General Ramalho Eanes, personalidade maior da nossa vida nacional.
Após uma reflexão cuidada e aprofundada sobre o momento político que o país atravessa, e sobre as responsabilidades que um tal exercício exige, cheguei à conclusão de que não devo avançar para uma nova candidatura presidencial.
A participação cívica é uma responsabilidade de todos, mas não estão reunidas as condições para uma candidatura aberta e plural, humanista, transversal aos mais diversos sectores da sociedade, como aconteceu nas eleições de 2016, nas quais recebi 23% dos votos. Sei muito bem quem sou e quem não sou, e os valores e princípios de independência que fazem parte da minha história de vida.
Em tempos de ódio e de violência, é urgente defender a Constituição e a democracia, com base na liberdade, na solidariedade e nos direitos humanos. Continuo inquieto e preocupado com o nosso país. Continuo a sentir que é preciso agir. Mas acredito que posso ser mais útil liberto de amarras partidárias, políticas ou outras, liberto de calculismos ou interesses que não os interesses nacionais. Agirei sempre através de uma intervenção cívica sobretudo nas áreas da educação, da ciência e da cultura, nomeadamente junto dos jovens. Motivado, inconformado, militante das grandes causas.
Portugal é muito melhor do que tantas vezes se ouve e se lê. Na economia. Nas iniciativas empresariais. Nos desenvolvimentos científicos e tecnológicos. No poder local. Na vida das comunidades. Nas associações de cultura e de desporto. Nas instituições de solidariedade social. Em tantos outros sectores e com tantos bons exemplos.
Juntos, precisamos de construir uma ambição de futuro para Portugal – avançar um século numa década -, “Salvar a esperança“, como nos ensinou Adriano Moreira. Sem divisões. Sem facciosismos. Com alegria. Com humanidade. Continuando a história de liberdade dos últimos 50 anos, mas rompendo com a pobreza e a mediania que nos reduzem e nos diminuem.
Se os portugueses quiserem, e decidirem, Portugal pode ser um país infinitamente melhor. A cidadania exige coragem. Nunca falharei ao meu país. Sempre que necessário, estarei presente. Reafirmo a minha total disponibilidade para cumprir as minhas obrigações cívicas ao serviço dos portugueses, do bem comum e dessa esperança maior.”
António Sampaio da Nóvoa
13 de Agosto de 2025
