É de lamentar que hoje, Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, os trabalhadores portugueses tenham de decidir, mais uma vez, em que Primeiro de Maio vão participar: se no da UGT se no da CGTP.
É evidente que o simples facto de ser necessário fazer essa escolha – que é normal que divida grupos e organizações – constitui um facto de desmobilização. Muitos trabalhadores gostariam certamente de festejar o Primeiro de Maio num acto unitário, sem ter de declarar ou sugerir a sua adesão a esta ou àquela organização, ainda que possam pertencer a alguma e desenvolver trabalho sindical no seio de alguma, ou declarando a sua adesão e usando as suas próprias bandeiras, mas reunidos numa manifestação verdadeiramente colectiva de comunhão entre trabalhadores.
Vivemos num mundo onde um número crescente de trabalhadores recusa identificar-se como tal, consumindo a propaganda neoliberal que os convenceu de que são colaboradores dos patrões em pé de igualdade e com os mesmos interesses ou mesmo empresários em nome individual à beira de se tornarem milionários, sem necessidade ou vantagem em associar-se à luta pelos direitos dos trabalhadores. Neste mundo, é fundamental eliminar tudo aquilo que possa constituir um obstáculo à criação de uma identidade colectiva que reúna todos os trabalhadores, independentemente do tipo de trabalho que realizam, do tipo do seu vínculo laboral e das organizações onde estão filiados. O Primeiro de Maio deveria ser o momento por excelência dessa manifestação de convergência – ainda que noutros momentos se afirmem diferenças e divergências.
A escolha a estamos obrigados no dia de hoje é tanto mais difícil de aceitar quanto é de prever que todas as manifestações e todas as organizações de trabalhadores e movimentos sociais convirjam hoje nos seus slogans e declarações na contestação ao maior ataque dos últimos anos aos direitos dos trabalhadores – aos direitos dos portugueses – que está consubstanciado no pacote laboral apresentado pelo Governo, a que este tem chamado “Trabalho XXI” para lhe conferir um falso ar de modernidade.
De facto, apesar das suas diferenças e das tentativas que o Governo tem usado para as dividir, as duas centrais sindicais têm demonstrado posições igualmente críticas perante o pacote laboral e convergiram mesmo na convocação da Greve Geral de 11 de dezembro de 2025.
O dia de hoje deveria ser uma nova manifestação de unidade neste combate que é o combate de sempre: em prol dos direitos humanos e da dignidade do trabalho.

